O relógio desperta, eu o desafio por alguns segundos, soneca cinco minutos, soneca cinco minutos e ele toca sem parar. O som é um jazz sampleado, que vai aumentando a cada toque e vejo que ele é mais forte que a minha própria vontade de levantar. Levanto correndo, subo as escadas, bebo café, como pão, desço as escadas, banho, roupa e luz, uma resmungada, escuro, ronronadas, luz, resmungadas. Peço desculpas ao parceiro por tamanha confusão, foi culpa do relógio, mandei que ele me acordasse às 5h20min e ele só despertou com força quinze minutos depois. Subo as escadas, e lembro-me das chaves, estão em outra bolsa, desço as escadas, pego a chave e subo as escadas: meu Deus, meus passes! Desço as escadas, escuto uma voz baixa dizendo: --desorganizada! Subo as escadas, agora vai, e lembro, chave do cadeado, volto, abro a porta, chavinha e abro o cadeado. Penso, espero que não tenha esquecido nada. Lembro que minhas bananas ficaram, mas deixa para lá, como outra coisa durante o dia. Sigo, pensando, dormindo, pensando, desvio do carro e assusto-me com a moto que estaciona ao meu lado, sigo novamente. Às vezes surge alguma música na cabeça, às vezes um poema: “Mundo, Mundo, Vasto Mundo, Se eu me Chamasse Raimundo” e logo me vejo rindo: Poxa eu não seria uma menina! Que besta, está tão besta que vou postar no facebook.
Subir até o ponto é quase uma aventura: desvio de buraco, desvio do mato, desvio do barro, pulo os trilhos, enfim, e com a música do Indiana Jones na cabeça finalizo o trajeto.
Sento no ponto, ligo o rádio, escuto as notícias, e logo quero ouvir um rock. Quando me dou conta, o ônibus está olhando para mim, e penso: como pude me distrair tanto assim, o ônibus imponente passa por mim e sinto que ele ri da minha própria desgraça. Perder o ônibus no ponto é a pior coisa que pode acontecer, ainda mais quando ele vem de uma em uma hora. Penso no Chapolin: “Calma, Calma, não criemos pânico”. Vou de trem. Circular, cheio, pessoas rindo, pessoas caindo, pessoas roncando. Nossa, liberou um lugar! Sento, não há como dormir, cabeça na janela e bate, cabeça para trás e torcicolo. Quarenta minutos, e chego ao primeiro destino, e vou correndo pelas escadas, bilhete único na mão, ruído, sem saldo. Hoje não é meu dia, fila, bilhete, passei. O trem não demora, mas está cheio, pessoas conversam, pessoas entram, pessoas saem, pessoas rezam, pessoas leem, pessoas te olham. Ainda bem que não há mais ambulantes (chicletes, balas, mapas). Estação Osasco! Desço e pasmo, muita gente, mas vamos para o próximo trem. Quase não consigo entrar, muita gente, sufoco e um tiozinho falando para caramba no meu ouvido: “Chegando no serviço vou comer, como três pães senhora, como bem mesmo, dois copos de leite com café, como mesmo, no almoço é dois pratos”. Pânico, ele ergueu o braço! Duas, três, quatro estações e cheguei ao meu destino. Saio correndo. Havia saído da minha lembrança a quantidade de pessoas que transitam no transporte público. Penso: aonde elas irão? O que elas fazem? Elas existem?
Ainda me resta uma caminhada, e ao longo do caminho estão obras, carros, o sol ardendo, mas chegarei ao meu destino.
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