segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

O gato Espoleta

Espoleta foi o segundo a nascer numa ninhada de 3 gatinhos, ele é preto com branco, como o frajola, olhos verdes e vivos e muito falador. Sempre carinhoso com a mãe e as irmãs, toma conta da casa com seu miado forte, ocupando a casa e atenção de seus donos. Adora carinho, principalmente na barriga, deita para cima e fica em êxtase com o seu super motor ligado, amassando pão com as patinhas para o ar. Porém, ele adora caçar e passa horas fora de casa, o vemos de longe dentro do lado de peixes por horas, em cima de árvores e no meio do mato. Isso gera uma preocupação, pois estou sempre apreensiva para saber onde ele está, que horas saiu, pois uma vez ele foi picado e apareceu com a cara inchada, parecendo um cachorro, foi um corre corre para medicar e ele ficar bem. Ele odeia o veterinário, sente quando ele está por perto, vira um leão, sempre é preciso dar tranquilizante para realizar as consultas, fugiu por duas vezes da caixa do veterinário mesmo dopado quando precisou castrar, foi uma confusão só. Certa vez ele estava deitado na cadeira e começou a engasgar, o seus pescoço esticava como de tartaruga e não conseguia voltar, peguei 1 ml de prednisolona e borrifei com a seringa em sua garganta e ele voltou a respirar no mesmo instante. Ele olhou para mim com uma cara: ooooooooooooohhhhhh, seja lá o que você fez foi sensacional! Desceu da cadeira e saiu, e depois de 5 minutos ele voltou com um presente enorme para mim. Eu quase desmaiei quando vi! Um rato enorme e sem cabeça! Meu coração disparou e minha reação foi dizer: Espoleta do céu, que nojo, porque vc fez isso?! Ele fez uma cara de triste olhando para mim e ao mesmo tempo decepcionado, foi quando entendi que precisava expressar gratidão pelo presente: disse, muito obrigado pelo presente, é lindo! E ele tomou um ar alegre, ligou o motor fez duas graças e saiu brincar novamente. A gente nunca saberá o mistério e a cognição dos bichos, se entendem ou não nossas palavras humanas não saberemos, mas as reações são sempre que eles sabem exatamente o que está se passando naquele momento.

Meu diário (memórias após 20 dias de molho)

E desde que comei a andar a vida da minha mãe não teve mais sossego, era uma traquinagem após a outra. O fogo me encantava, adora a chama colorida e sua capacidade destruir o papel, gostava de ver as cinzas voando pelo espaço. Minha mãe já tinha pavor dessa minha paixão incendiária, foram foguinhos debaixo do armário, atrás dos sofás (em uma dessas as chamas se espalharam na minha roupa e foi uma loucura), no quintal, a questão era somente uma : se houvesse maneira de fazer fogo lá eu estava derretendo plástico, alimentando fogueira, queimando papel. Adora correr e pular de sacadas de casas por construir em montes de areias, construção era sempre divertido com tantas coisas para brincar, uma vez tinha uma prancha e eu como em desenhos animados fui pular para cair num monte de areia, havia um caibro com um prego na ponta e conforme o movimento ele subiu e caiu na minha cabeça, a frustração de não cair na areia sucumbiu a dor que senti naquele momento, fui brincar da casa da minha amiga, e minha cabeça coçava e as mãos ficavam vermelhas, disse: sua mãe exagerou na cera hoje, hein? E minha amiga: - não passou cera não, coçei a cabeça novamente e sai gritando, pois era sangue que escorria. Meu vizinho gritava apavorado: a Paulinha vai pegar tetão, a paulinha vai pegar tetão, e minha amiga corrigia é Tétano...sei que foi uma profecia quando cheguei na adolescência e meus seios não pagaram de crescer, sempre lembrava dessa cena! De corridas, a explorar todo universo dos quintais, subir em árvores e brincar de morcego ficando de ponta cabeça nos troncos em V , descer de carrinhos de rolimãs de descidas enormes, jogar taco, futebol, volei e nos descansos trucos, de todos os cortes e joelhos ralados, todas os riachos e rios com poluição ou não, nunca quebrei nada, nunca torci nada! O que me parava era alguma enfermidade, tipo a catapora que fiquei 1 semana olhando pela janela as crianças brincando e conforme elas me davam tchau eu chorava, uma alergia por carne estragada no pastel me deixou toda empipocada, foram as situações que me lembro. Quando assisti um filme sem pular minha mãe me levou ao médico, pois havia algo errado, mas era só adolescência chegando. Meus livros, minhas músicas, minhas bandas, e tantas outras experiências, mas nada de ficar em casa tanto tempo. E agora com vivo a experiência de que uma dor que me fez parar, de um inchaço que me limita e tenho que parar e me rever. Alguns criticam minha forma de ser tão agitada, pensam que não tenho propósito por fazer tantas coisas ao mesmo tempo, ouvi ano passado: você não sabe o que quer, me doeu, mas talvez as pessoas não saibam que eu quero muitas coisas, e que abraço todas com responsabilidades, talvez eu já tenha falhado com alguém por conta disso, mas minha única cobrança interna é não ter facilidade de ficar horas fazendo a mesma coisa e isso me atrapalha na evolução de algumas coisas sim....tipo tocar bateria, por mais que amo, a repetição me dói a cabeça, me disperso e não consigo. A minha essência é dinâmica, por mais que não compreendam, eu sou feliz em movimento e em várias faces. Agradeço a cada ajuda que tenho recebido, e fico feliz por não ter sido tão grave minha enfermidade, mas se alguém quiser me ver feliz, torça logo para que eu possa vestir minhas asas novamente e voar.