sábado, 15 de julho de 2017

Metódico


Seu Joaquim  caminhava todos os dias pela praça com seu cachorro, passava na padaria e levava o pão para o café da manhã. Todos o conheciam por seu hábito de não mudar nem o horário, nem a calçada. Seu cão habitualmente também realizava suas necessidades no mesmo lugar, não causando transtorno na rotina de seu Joaquim. Sempre igual, sempre tranquilo, com um sorriso no rosto cumprimentava as pessoas no seu percurso, contemplava as flores das copas das árvores, ouvia os pássaros, sentava na praça para descansar e contava histórias aos que por ali paravam para acariciar o cão. No retorno, Alceu, o seu cão, latia para o gato no portão de uma das casas e este arrepiava o rabo e o olhava com desdém. Passava sempre em frente à agência bancária que sacava sua aposentadoria e que naquele horário estava sempre vazia. Lembrava as filas  que precisava enfrentar todos os meses e dizia a si mesmo: que um dia irei passar cedo e evitar o transtorno, assim sobraria tempo para realizar outras atividades. E num belo dia de primavera mudou sua rotina pela primeira vez. Trazia consigo o cão, o cartão e uma angústia. Não sabia se faria o saque na ida ou na volta. Ficava tenso, confuso conforme caminhava em direção à agência. Não respondeu bom dia aos que passavam, o que causou estranhamento nos transeuntes acostumados com sua rotina, brigou com cão que brigava com o gato que  não estava nem aí, não sentou no banco da praça e não conversou com ninguém. Dirigiu-se determinado para o banco  e concentrado para realização da sua façanha. Suando frio, ficou confuso, pois a porta não estava aberta como o habitual, pois não era ainda o horário do expediente bancário. Não entendia como funcionava, fingiu que estava olhando para o céu ao ver uma pessoa se aproximando, aproveitou que ela abriu a porta e entrou. Sentiu-se aliviado por ter conseguido entrar. Não havia filas e seu sorriso se abriu. Sacou o cartão, digitou a senha e escutou o barulho das notas descendo, pegou o dinheiro, sentiu o cheiro. Havia sido mais fácil que pensava!Repreendeu-se por ter demorado tanto tempo sem ir aos banco pelas manhãs. Conseguiu entrar com o cachorro, estabeleceu o diálogo com seu compaheiro dizendo de onde saia  o recurso para ração. O cão escutava atentamente e Joaquim prometeu-lhe a compra de sachê e biscoitos assim que saíssem. Olhou ao redor e se sentiu bancário pela primeira vez ocupando sozinho aquele espaço todo! Num espanto súbito ele se deu conta que não sabia abrir a porta. Como sairia daquele espaço? Sentiu medo por estar sozinho. Cadê o guarda? E não viu ninguém. Começou a desesperar-se! Olhava o cartão e a tarja para cima e para baixo e lembrava como a menina havia feito para entrar, porém não tinha como passar o cartão do lado de dentro. Puxava a porta e nada. Empurrava e nada! Iniciou uma série de palavrões! Depois pediu desculpas ao seu deus e começou a orar. As horas passavam e o suor escorria! Não havia telefone! Não havia guarda! Não havia ninguém! Sentiu-se um peixe dentro de um aquário! Via pelo vidro o mundo acontecer do lado de fora, imaginava a vida e seu contar das horas! Desejava muito ir para aquele lado! Eis que viu uma pessoa passando na rua e pensou em pedir socorro como se estivesse numa ilha e lançasse fogo. Começou a gesticular, a pessoa não viu, começou a pular e a pessoa olhou e correspondeu ao seu olhar de desespero. Faziam mímicas sem compreensão, então o homem se aproximou para escutar a história que se passava. - A porta está quebrada (disse)! O ouvinte lamentou profundamente por não ser correntista, chamou uma pessoa que passava, ficaram lá na expectativa, o guarda não via o homem, o cão, a fila e a vida se passava. Conversaram sobre a política e futebol. Pensava que sua esposa já devia ter saído sem café, sem pão e preocupada com a demora daquele homem que nunca mudava. Será que havia sido assaltado? Ele que nunca atrasava 10 min, tudo era cronômetrado e não percebia que a vida é fluida e cheia de possibilidades. Eis que chegou um correntista, todos o olhararam. Assustado, o homem pensou que era um assalto, entrou no carro e saiu rapidamente. Joaquim lamentou-se! Os amigos temporários se foram. Sentou-se no chão, triste. Já sem esperança escutou a porta abrir! Abriu um sorriso, a pessoa perguntou se ele estava bem! O cachorro latiu e abanou o rabo. Ela perguntou como ele entrou com o cachorro! Cheguei cedo e não havia ninguém! Ela perguntou se os caixas estavam funcionando e ele disse sim. Mentiu para não demonstrar sua fragilidade. Disse que estava cansado e precisava respirar um pouco e por isso estava ali ainda! Esperou sua salvadora realizar suas operações. Ela disse adeus. Ele disse: espere! Vou embora também. Ela apertou o botão  ao lado da porta que simplemente abriu. Por um instante ele se sentiu envergonhado. Sairam, tomaram rumos diferentes. Seguiram suas vidas.

Escrito por Paula Rizzutti em 15/07/2017 às 21h

segunda-feira, 17 de abril de 2017

CORAGEM



Eis a mais admirada de todas as virtudes, representada incansavelmente em filmes e histórias. Só que o fato de ser admirada não faz da coragem nem melhor nem pior do que qualquer outra virtude. Coragem num ato criminoso ou maldoso pode ser uma qualidade, mas certamente não é uma virtude. O que estimamos na coragem é, acima de tudo, o risco sem motivação egoísta (cujo ápice é o auto-sacrifício, como Jesus na cruz). Do ponto de vista moral, a coragem só é admirável, quando se põe, ao menos em parte, a serviço de outrem, quando se escapa, pelo menos um pouco, do interesse egoísta imediato. O amor a si, dizia Kant, sem ser sempre condenável, é a fonte de todo mal. E o amor ao outro, sem dúvida, é a fonte de todo bem. Por isso, especialmente para um ateu, a coragem diante da morte é a coragem das coragens, pois ele não pode encontrar nenhum ganho para o seu ato (o paraíso, a outra vida, a face de Deus, recompensas, etc). Mas mesmo a coragem mais comum é, se não um altruísmo, pelo menos um desinteresse, um desprendimento, um distanciamento do ‘eu’. Como traço de caráter, a coragem é, sobretudo, uma fraca sensibilidade ao medo, seja por ele ser pouco sentido, seja por ele ser bem suportado, ou até sentido como um prazer. Mesmo numa ação de puro egoísmo (combater um agressor) pode-se estimar a ação corajosa por significar maior domínio, maior dignidade, maior liberdade, qualidades significativas que dão à coragem valor, mesmo sem ainda ser uma virtude. O medo e a covardia são egoístas (porque, em ultima análise, sempre visam a si mesmo: o medo de ficar sozinho, de fracassar, de não agüentar, etc.), mas virilidade, coragem de guerreiro ou de força física são apenas qualidades que podem pertencer tanto ao patife quanto ao homem de bem. Como virtude, a coragem supõe uma forma de desinteresse, de altruísmo, de generosidade. Coragem, é bom frisar, não é a ausência do medo, é a capacidade de superá-lo, quando ele existe, por uma vontade mais forte ou mais generosa. Não é automático, é força da alma diante do perigo ou do que é difícil. Não é coragem dos durões, é a coragem dos desprendidos e dos heróis. Essa coragem é a condição de qualquer virtude, já que requer, dizia Aristóteles, ‘agir de maneira firme e inabalável’ (a fortitude, como os gregos chamavam, ou ‘força da alma’), mas também uma virtude especial que permite, como dizia Cícero, ‘enfrentar os perigos e suportar a vida e os percalços’. Porque a coragem, notemos de passagem, é o contrário da covardia, de certo, mas também da preguiça e da frouxidão. Nos dois casos é preciso superar o impulso primeiro ou animal que preferiria o repouso, o prazer ou a fuga. Covardia, dizia Alain, é a mais grave das injúrias. Não porque ela seja o pior no homem, mas porque sem coragem não se poderia resistir ao pior em si ou em outrem. Virtude que mais resiste à intelectualidade e ao racional. É indiscutível que sábios e pensadores precisam de coragem para pensar, para ousar, mas o pensamento nunca bastou para dar coragem a ninguém. A coragem, novamente, não é a ausência de medo, é a capacidade de enfrentá-lo, de dominá-lo, de superá-lo, o que supõe que o medo exista ou devesse existir (p.exemplo: numa situação real de risco). Se, por exemplo, pudéssemos nos convencer de que a morte não é nada, como achava Epicuro (ou que é desejável! como achava Platão), não precisaríamos mais de coragem para suportar a idéia de morrer. O conhecimento, a sabedoria ou a opinião dão ou tiram o medo aos objetos, pois, em geral, tememos o que desconhecemos ou o que já sabemos (para os antigos, por exemplo, navegar pelos oceanos desconhecidos era prova de coragem; hoje, é turismo!). Assim, conhecimento, sabedoria e opinião não dão coragem, dão a oportunidade de usá-la ou de dispensá-la. Por isso a coragem não é um saber, é uma decisão, não é uma opinião, mas um ato. É por isso que a razão aqui não basta, como diz Jankélévitch: ‘o raciocínio nos diz o que e/ou se devemos fazer algo, mas não nos comanda a fazê- lo; e menos ainda ele mesmo faz o que diz’. Por isso, a coragem é uma vontade mais determinada, e até mais necessária, diante do perigo ou do sofrimento. Toda razão é universal, toda coragem é singular. É por isso que é preciso coragem para pensar, às vezes, como é preciso para sofrer e lutar, porque ninguém pode pensar em nosso lugar, nem sofrer em nosso lugar, nem lutar em nosso lugar. O que chamamos de coragem intelectual é a recusa, no pensamento, de ceder ao medo, a recusa de se submeter a outras coisas que não à verdade, mesmo que essa verdade seja assustadora e inconcebível. Spinoza chamava de firmeza da alma esse desejo de conservar seu ser sob o exclusivo julgamento da razão, do pensamento. Mas a coragem está no desejo, não na razão; no esforço, não no julgamento. Trata-se sempre de perseverar em seu ser e toda coragem é feita de vontade. Por isso, ela não é bem a virtude do começo, pois continuar é recomeçar sempre e a coragem, que não pode ser ‘nem entesourada nem acumulada’, só continua pela duração do esforço, do querer, do perseverar, apesar do cansaço, apesar do medo, e por isso mesmo sempre necessária e sempre difícil. De qualquer forma, já é corajoso tentar, ainda que a vontade diminua, ainda que a coragem vacile. Uma pessoa de alma forte, lemos em Spinoza, ‘esforça-se por agir bem e manter-se alegre’, confrontando-se sempre com os obstáculos, que são muitos; esse esforço em si mesmo é a própria coragem. Por isso a coragem só existe no presente. Ter tido coragem não prova que se terá, nem mesmo que se tem. Querer dar amanhã ou outro dia não é ser generoso e, assim, querer ser corajoso na semana que vem ou daqui a dez anos não é coragem; são projetos de querer, decisões sonhadas, virtudes imaginárias. Ser corajoso não é amanhã ou daqui a pouco, mas ‘no ato’, no presente, agora. Como dizia Santo Agostinho, o presente é uma duração, muito mais que um instante, uma distensão, sempre proveniente do passado, sempre voltado para o futuro e a coragem é, não será ou foi. Sem dúvida, é necessário coragem para durar e agüentar, para suportar sem quebrar essa tensão que nós somos, ou essa divisão entre passado e futuro, entre memória e vontade. É a própria vida e o esforço de viver; se é o futuro que tememos, é o presente que suportamos (inclusive nosso medo presente do futuro) e a realidade atual de nossa condição. Por isso é preciso coragem para suportar uma deficiência, para assumir um fracasso ou um erro, para ousar, para agir ou para encarar a realidade. Pode até ser que seja preciso coragem para se suicidar e, sem dúvida, sempre é preciso, mas menos, contudo, do que para resistir à tortura ou à uma vida difícil e penosa. Embora a coragem diante da morte seja a coragem das coragens, ela não é necessariamente e nem sempre a maior. É a mais simples, porque a morte é simples. É a mais absoluta, se quisermos, porque a morte é absoluta. Mas não é a maior, porque a morte não é o pior. O pior é o sofrimento que dura, é o horror que se prolonga ou uma dor sem fim. A coragem, portanto, não se refere apenas ao futuro, ao medo, à ameaça, ao risco; refere-se também ao presente, e sempre está ligada à vontade, muito mais do que à esperança. A esperança e a fé só alivia e ajuda aos crentes (os que crêem, tem fé, num futuro bom), ao passo que a coragem ajuda qualquer homem. Lê-se, inclusive em Aristóteles, que a coragem das coragens, a sua forma mais elevada, é ‘sem esperança’ ou até contrária à esperança pelo simples fato de não ter mais nenhuma esperança. Aliás, pode-se temer tudo de quem nada teme. Pois toda esperança dá margem a outra esperança, à espera de algo bom; mas todo desesperado sem temor é absolutamente livre, pois nada espera. O suicídio muitas vezes é uma forma de esperança, pois a morte nada mais é do que uma outra forma de esperança (de livrar-se dos males ou encontrar paz). Aliás, é por isso que o desespero absoluto pode também levar ao pensar com alegria sem nenhum temor e sem nenhuma esperança, uma espécie de loucura que atemoriza aos demais. Corajosos que nos despertam medo, mas que nos evocam a sermos mais corajosos. Guilherme de Orange dizia: ‘não é necessário esperar (ter esperança) para empreender, nem ter êxito para perseverar’; de fato, nada pode impedir o homem de agir, de ousar, mesmo quando não tem nenhuma esperança... Sem dúvida, é mais fácil empreender ou perseverar quando há esperança ou quando o êxito está à vista, mas, o fato é que, quando é mais fácil, tem-se menos necessidade de coragem. Mesmo assim, é bom lembrar que coragem não é temeridade ou estupidez (correr riscos desnecessários). Ela fica entre os limites da temeridade e da covardia: o covarde é submisso demais ao seu medo, o temerário despreocupado demais com a sua vida ou com o perigo. A ousadia, ainda que extrema, só é virtuosa se temperada pela prudência. Spinoza dizia: ‘A virtude de um homem livre se revela tão grande quando ele evita os perigos como quando os supera; ele escolhe com a mesma firmeza de alma, ou presença de espírito, a fuga ou o combate.’ Claro que para todo homem há o que ele pode e o que ele não pode suportar. O fato de encontrar ou não, antes de morrer, o que o vai abater é tanto uma questão de sorte quanto de mérito. 




André Comte-Sponville, Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, Ed. Martins Fontes Resumo e excertos do capítulo IV.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

O gato Espoleta

Espoleta foi o segundo a nascer numa ninhada de 3 gatinhos, ele é preto com branco, como o frajola, olhos verdes e vivos e muito falador. Sempre carinhoso com a mãe e as irmãs, toma conta da casa com seu miado forte, ocupando a casa e atenção de seus donos. Adora carinho, principalmente na barriga, deita para cima e fica em êxtase com o seu super motor ligado, amassando pão com as patinhas para o ar. Porém, ele adora caçar e passa horas fora de casa, o vemos de longe dentro do lado de peixes por horas, em cima de árvores e no meio do mato. Isso gera uma preocupação, pois estou sempre apreensiva para saber onde ele está, que horas saiu, pois uma vez ele foi picado e apareceu com a cara inchada, parecendo um cachorro, foi um corre corre para medicar e ele ficar bem. Ele odeia o veterinário, sente quando ele está por perto, vira um leão, sempre é preciso dar tranquilizante para realizar as consultas, fugiu por duas vezes da caixa do veterinário mesmo dopado quando precisou castrar, foi uma confusão só. Certa vez ele estava deitado na cadeira e começou a engasgar, o seus pescoço esticava como de tartaruga e não conseguia voltar, peguei 1 ml de prednisolona e borrifei com a seringa em sua garganta e ele voltou a respirar no mesmo instante. Ele olhou para mim com uma cara: ooooooooooooohhhhhh, seja lá o que você fez foi sensacional! Desceu da cadeira e saiu, e depois de 5 minutos ele voltou com um presente enorme para mim. Eu quase desmaiei quando vi! Um rato enorme e sem cabeça! Meu coração disparou e minha reação foi dizer: Espoleta do céu, que nojo, porque vc fez isso?! Ele fez uma cara de triste olhando para mim e ao mesmo tempo decepcionado, foi quando entendi que precisava expressar gratidão pelo presente: disse, muito obrigado pelo presente, é lindo! E ele tomou um ar alegre, ligou o motor fez duas graças e saiu brincar novamente. A gente nunca saberá o mistério e a cognição dos bichos, se entendem ou não nossas palavras humanas não saberemos, mas as reações são sempre que eles sabem exatamente o que está se passando naquele momento.

Meu diário (memórias após 20 dias de molho)

E desde que comei a andar a vida da minha mãe não teve mais sossego, era uma traquinagem após a outra. O fogo me encantava, adora a chama colorida e sua capacidade destruir o papel, gostava de ver as cinzas voando pelo espaço. Minha mãe já tinha pavor dessa minha paixão incendiária, foram foguinhos debaixo do armário, atrás dos sofás (em uma dessas as chamas se espalharam na minha roupa e foi uma loucura), no quintal, a questão era somente uma : se houvesse maneira de fazer fogo lá eu estava derretendo plástico, alimentando fogueira, queimando papel. Adora correr e pular de sacadas de casas por construir em montes de areias, construção era sempre divertido com tantas coisas para brincar, uma vez tinha uma prancha e eu como em desenhos animados fui pular para cair num monte de areia, havia um caibro com um prego na ponta e conforme o movimento ele subiu e caiu na minha cabeça, a frustração de não cair na areia sucumbiu a dor que senti naquele momento, fui brincar da casa da minha amiga, e minha cabeça coçava e as mãos ficavam vermelhas, disse: sua mãe exagerou na cera hoje, hein? E minha amiga: - não passou cera não, coçei a cabeça novamente e sai gritando, pois era sangue que escorria. Meu vizinho gritava apavorado: a Paulinha vai pegar tetão, a paulinha vai pegar tetão, e minha amiga corrigia é Tétano...sei que foi uma profecia quando cheguei na adolescência e meus seios não pagaram de crescer, sempre lembrava dessa cena! De corridas, a explorar todo universo dos quintais, subir em árvores e brincar de morcego ficando de ponta cabeça nos troncos em V , descer de carrinhos de rolimãs de descidas enormes, jogar taco, futebol, volei e nos descansos trucos, de todos os cortes e joelhos ralados, todas os riachos e rios com poluição ou não, nunca quebrei nada, nunca torci nada! O que me parava era alguma enfermidade, tipo a catapora que fiquei 1 semana olhando pela janela as crianças brincando e conforme elas me davam tchau eu chorava, uma alergia por carne estragada no pastel me deixou toda empipocada, foram as situações que me lembro. Quando assisti um filme sem pular minha mãe me levou ao médico, pois havia algo errado, mas era só adolescência chegando. Meus livros, minhas músicas, minhas bandas, e tantas outras experiências, mas nada de ficar em casa tanto tempo. E agora com vivo a experiência de que uma dor que me fez parar, de um inchaço que me limita e tenho que parar e me rever. Alguns criticam minha forma de ser tão agitada, pensam que não tenho propósito por fazer tantas coisas ao mesmo tempo, ouvi ano passado: você não sabe o que quer, me doeu, mas talvez as pessoas não saibam que eu quero muitas coisas, e que abraço todas com responsabilidades, talvez eu já tenha falhado com alguém por conta disso, mas minha única cobrança interna é não ter facilidade de ficar horas fazendo a mesma coisa e isso me atrapalha na evolução de algumas coisas sim....tipo tocar bateria, por mais que amo, a repetição me dói a cabeça, me disperso e não consigo. A minha essência é dinâmica, por mais que não compreendam, eu sou feliz em movimento e em várias faces. Agradeço a cada ajuda que tenho recebido, e fico feliz por não ter sido tão grave minha enfermidade, mas se alguém quiser me ver feliz, torça logo para que eu possa vestir minhas asas novamente e voar.